" (...) a perda dos sapatos vermelhos feitos à mão representa
a perda da vitalidade passional e da vida que a própria mulher projetou para
si, aliadas à adoção de uma vida domesticada em excesso. Isso acaba levando à
perda da percepção aguçada, que induz aos excessos, à perda do pé, a plataforma
sobre a qual pousamos, nossa base, um aspecto profundo da nossa natureza
instintual que sustenta a nossa liberdade.
"Os sapatinhos vermelhos" nos mostra como tem início uma deterioração e o estado a que chegamos se não tomamos qualquer iniciativa em defesa da nossa própria natureza selvagem. Que não reste dúvida, quando a mulher se esforça por intervir e combater seus próprios demônios, quaisquer que sejam eles, essa é uma guerra das mais valiosas, tanto em termos arquetípicos quanto nos da realidade consensual. Muito embora ela possa, como ocorre na história, chegar ao fundo do poço em decorrência da fome, do cativeiro, do instinto prejudicado, de escolhas destrutivas e de todo o resto, lembrem-se de que no fundo é onde ficam as raízes vivas da psique. É ali que estão os alicerces selvagens da mulher. No fundo está o melhor solo para semear e ver crescer algo de novo. Nesse sentido, chegar ao fundo do poço, embora extremamente doloroso, é chegar ao terreno de semeadura.
Apesar de que jamais desejaríamos os venenosos sapatinhos vermelhos e subsequentes definhamento para nós mesmas nem para ninguém mais, existe no seu centro ardente e destrutivo algo que mescla a ferocidade e a prudência na mulher que dançou a dança maldita, que perdeu a si mesma e à sua vida criativa, que se transportou até o inferno numa cestinha barata (ou cara) e que, mesmo assim, de algum modo se manteve fiel a uma palavra, um pensamento, uma ideia até poder fugir desses demônios por uma fresta no tempo e poder sobreviver para contar sua história.
Portanto, a mulher que perdeu o controle pela dança, que perdeu seu equilíbrio e seus pés e compreende esse estado de privação no final da história, tem um conhecimento especial e valioso. Ela é como um 'saguaro', um belo cacto gigante que sobrevive no deserto. Esses cactos podem ser perfurados por muitos tiros, podem ser entalhados, derrubados, pisoteados e ainda assim sobrevivem, ainda assim armazenam a água que dá vida, ainda assim crescem loucamente e se recuperam com o tempo. (...) "
"Os sapatinhos vermelhos" nos mostra como tem início uma deterioração e o estado a que chegamos se não tomamos qualquer iniciativa em defesa da nossa própria natureza selvagem. Que não reste dúvida, quando a mulher se esforça por intervir e combater seus próprios demônios, quaisquer que sejam eles, essa é uma guerra das mais valiosas, tanto em termos arquetípicos quanto nos da realidade consensual. Muito embora ela possa, como ocorre na história, chegar ao fundo do poço em decorrência da fome, do cativeiro, do instinto prejudicado, de escolhas destrutivas e de todo o resto, lembrem-se de que no fundo é onde ficam as raízes vivas da psique. É ali que estão os alicerces selvagens da mulher. No fundo está o melhor solo para semear e ver crescer algo de novo. Nesse sentido, chegar ao fundo do poço, embora extremamente doloroso, é chegar ao terreno de semeadura.
Apesar de que jamais desejaríamos os venenosos sapatinhos vermelhos e subsequentes definhamento para nós mesmas nem para ninguém mais, existe no seu centro ardente e destrutivo algo que mescla a ferocidade e a prudência na mulher que dançou a dança maldita, que perdeu a si mesma e à sua vida criativa, que se transportou até o inferno numa cestinha barata (ou cara) e que, mesmo assim, de algum modo se manteve fiel a uma palavra, um pensamento, uma ideia até poder fugir desses demônios por uma fresta no tempo e poder sobreviver para contar sua história.
Portanto, a mulher que perdeu o controle pela dança, que perdeu seu equilíbrio e seus pés e compreende esse estado de privação no final da história, tem um conhecimento especial e valioso. Ela é como um 'saguaro', um belo cacto gigante que sobrevive no deserto. Esses cactos podem ser perfurados por muitos tiros, podem ser entalhados, derrubados, pisoteados e ainda assim sobrevivem, ainda assim armazenam a água que dá vida, ainda assim crescem loucamente e se recuperam com o tempo. (...) "
Trecho
do Livro "Mulheres Que Correm com os Lobos" de Clarissa Pinkola Estés
- Editora Rocco
Imagem Google

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