segunda-feira, 31 de março de 2014

Consumo de Carne x Proteção Divina

 
Participante: apesar de Pai Joaquim ter afirmado que a carne não pode interferir no espírito, muitas mensagens espirituais que chegam até nós têm nos alertado sobre a necessidade de pararmos de nos alimentar de carne devido a todo sofrimento que está por trás dela. Os animais são maltratados, sentem medo, tentam fugir do abate, etc. Segundo essas mensagens, esse sofrimento gera uma energia extremamente negativa que produz um carma muito pesado e triste para toda a humanidade. Além disso, afirmam que esse hábito reveste nossa aura com uma crosta muito densa, difícil de ser retirada. Gostaria de saber o que o Pai Joaquim tem a dizer sobre isso.
Sobre a questão dos animais sentirem dores e a necessidade de se viver este momento; creio que já deixei bem claro o assunto numa questão anterior que respondi. Por isso vou tratar agora apenas sobre o carma pesado que ocorre no planeta por causa daqueles que comem carne... Antes, porém, temos um assunto a comentar.
Você fala em mensagens espirituais que se referem a esta questão. Sim, existem mensagens neste sentido. Mas, não nos esqueçamos que existe o mundo dos devas, o mundo dos seres humanos sem carnes, daqueles que pensam humanamente, mas estão sem carne.
Estes são mais dos espíritos sem carne: são instrumentos da prova de vocês. São espíritos que servindo a obra geral geram ao espírito encarnado a oportunidade de vivenciar as vicissitudes terrestres mantendo-se em paz e harmonia, próximos de Deus. Este é o primeiro detalhe.
Sendo uma prova, só há uma forma de se vencer: optando por Deus, pelo universal. Colocando Deus como Causa Primária de todas as coisas, você anula o teor de qualquer uma destas informações.
É o que já disse antes e que continuarei a dizer para lhes orientar: pensem no que é Deus para vocês.
Sempre que recebo uma questão com teor semelhante a sua, reparo cada vez mais que Deus para vocês é uma figura decorativa no universo. Ele está sentado num trono no céu e não pode proteger o pobre do animal. Justo Ele que é o todo poderoso não pode fazer nada pelo pobrezinho do animal.
Acho que alguma coisa está errada aí. Aliás, isso para mim soa inclusive como blasfêmia...
Por isso volto a falar agora e falarei muitas vezes daqui para frente: o que é Deus para vocês. Pensem sobre isso, porque, através das perguntas que me fazem, verifico que a mente de vocês está declarando que Ele é uma coisa, mas essa afirmação não é real.
A mente lhes diz que para vocês Deus é tudo, é Sublime, é o Pai, etc. Só que quando ela lhe manda uma questão como a que estamos conversando (matar animais), vocês cedem às críticas que ela faz a outros seres humanizados. Se Ele é tudo para vocês, será que Ele também não é quem está matando o animal? Pergunto isso porque este ser que faz está ação deve estar no tudo que usam para dizer o que Deus representa para vocês? Ou será que eles não são nada?
Este é o problema para aqueles que querem aproveitar a oportunidade da encarnação. Vocês acham que convivem com Deus dentro de um preceito, só que aí vem a mente com argumentos como os que foram usados na sua questão e aí vocês caem, acreditam neles. Isso só acontece porque não combatem a informação dizendo à mente quem é o seu Deus.
Tendo falado sobre a questão das mensagens espirituais, vamos agora à questão da crosta que se liga ao espírito – e eu diria que não é ao espírito, mas sim ao períspirito – e que flutua no planeta.
Essa crosta realmente existe. Aliás, falamos nela numa conversa chamada ‘Natal’. Naquela conversa falei exatamente isso: olhando-se do espaço, a Terra está envolta por uma nuvem negra, pesada, uma nuvem de poluição.
Sim, isso existe. Agora, o que gera esse miasma, que é a forma como vocês chamam esta poluição? O que gera a poluição? O descumprimento da lei do amor. O descumprimento do amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Cada vez que você se ama, ou seja, se apega a algo, acima do apego a Deus, polui o meio ambiente. Cada vez que ama a si acima do próximo, ou seja, o considera pior do que você considera o outro errado, contribui com esta poluição.
Sendo assim, posso dizer que você contribui para esta poluição quando julga e critica aqueles que comem carne ou matam os animais. Portanto, a sua crítica a quem mata os animais fundamentada na geração da crosta que envolve o planeta que eles formam, é o sujo falando do roto, do porco falando do chiqueiro. Você me diz que aqueles poluem, que eles dão a contribuição para a poluição, mas quando os critica também está poluindo o meio ambiente.
Mais: como ensinou Cristo, aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra. Será que você consegue o cumprimento da lei do amor ao próximo tão perfeito que possa falar de alguém, que possa criticar alguém por não amar? Esse é o grande problema.
Os espíritos humanizados, os que vivem fora da carne tendo ideias humanas falam de coisas que a ideia humana considera errada, mas não falam daquelas que a ideia humana considera certa. Já falamos sobre vegetarianismo, sobre ecologia e uma série de detalhes que são tratados pela humanidade como coisas certas e mostramos que todo este discurso é simplesmente uma hipocrisia criada pela mente.
O ecologista tem o seu carro, mesmo que desta forma contribua para a poluição planetária. Mora numa casa que para ser construída teve que tirar o cimento e o barro da natureza, onde há tinta, que é produto químico e não tem nada de natural. Ali isso pode ser feito. Ali podem ser usadas estas coisas, mesmo que com isso se acabe com a natureza. Agora, onde ele não quer que se use os elementos naturais, não pode. É essa hipocrisia, que é a mesma dos espíritos humanizados sem carne, que cria essa crosta negra.
Já disse isso e vou dizer mais uma vez: vocês estão ansiosos esperando a chegada dos extraterrestres. Sim, eles chegarão. Só que não chegarão através de nenhuma das hipóteses que vocês imaginam.
Eles não chegarão com armas para gerar uma dominação humana, ou seja, assumir a posição de ditador da vida de vocês. Também não vão chegar trazendo presentes para vocês como Cabral chegou ao Brasil dando presentes a índios. Não chegarão louvando vocês que se consideram mais elevados apenas porque não querem que os animais supram a necessidade física de alguns seres humanos, mesmo que na Bíblia se diga que Deus colocou os animais à disposição do homem para se alimentar. Não, eles virão justamente para mostrar a hipocrisia do ser humano. Por isso, a necessidade de se começar a vencer esta hipocrisia...
Você diz que é por amor que não quer que se mate o animal, mas eu pergunto: onde está o seu amor por aquele que mata o animal? Cristo não mandou amar o certo, o bom, mas a todos. Aliás, ele também falou que não veio para os bons.
Ele mandou amar a todos sem exceção. Para se amar a todos dessa forma só há uma saída: dizer à sua mente quem é o seu Deus. Mostrar à sua mente que o seu Deus é o do Amor, da Justiça, da Causa Primária e da Inteligência Suprema. Por isso, tudo o que acontece é justo e amoroso...
Na hora que você disser à sua mente quem é o seu Deus se libertará destes argumentos que ela cria. Neste momento, você pode comer ou não carne, pode querer ou não que matem os animais, mas estará em paz e harmonia com tudo que existe, com tudo que acontece. Neste momento terá se tornado um com Deus.
É por conta de vocês acreditarem que existem seres melhores ou piores a partir daquilo que eles fazem, como agem, que sei que estou conversando com os anjos caídos, aqueles que acham que Deus está errado porque ainda permite que animais sejam abatidos.
Enfim, lhe respondendo, digo que sim, a poluição existe, mas cuidado, pois existem poluidores que acham que não poluem, mas contribuem e muito para a existência desta crosta que envolve o planeta. É nisso que eu queria que você prestasse a atenção...


Espírito Pai Joaquim de Aruanda.

(Recebido via e-mail: Grupo de Apometria Amor e Caridade)
www.facebbok/gaac.apometria.campinas

Desejo mudar radicalmente de vida, como faço?





- Abandono minha família, marido, emprego, filhos, amigos? Estou infeliz e não sei por onde começar. Por onde começar a mudar?
- Estou cheio de tudo e absolutamente nada mais faz sentido para mim, aliás, tudo perdeu o sentido!
Já se sentiu assim? Ouve uma voz dentro de você lhe dizendo constantemente que é hora de "chutar o balde?”
Se estiver assim, pode ser que esteja beirando um processo de crise que também poderá levá-lo à total inversão existencial, ou seja, à possibilidade real de mudar interna e externamente e como se diz por aí, de "virar a mesa!”
Histórias sobre estes feitos é o que não faltam. Muitos infelizmente percebem tarde demais que poderiam ter mudado há tempos. Em momentos cruciais, refletem que poderiam ter agido transformando situações que, ao longo da vida, deixaram de fazer sentido, ou que os feriam. Acostumam-se a serem cruéis consigo mesmos, sem consciência da dimensão do quanto são afetados ou mesmo do grau de sofrimento. Contextos como estes são permeados por atos heroicos sem a menor valia, envolvidos pelo esquecimento total de si mesmo e pela ausência de se amar na medida certa.
Inversão existencial pode ocorrer num momento máximo de crise onde se é acometido pelo desespero de morrer sem nunca ter nascido... É aí que ocorre a oportunidade de mudar radicalmente ou de continuar na "mesmice". Ambas as escolhas são atos de coragem. Sair do lugar conhecido e ousar mudar buscando a felicidade é simples, porém, extremamente difícil de concretizar. A felicidade buscada está na confiança de um vir-a-ser ainda não conhecido, não vivido. Reside na esperança ativa de que o melhor irá acontecer.
"A busca da felicidade e a felicidade em si estão na falência da ilusão de que podemos controlar a realidade nos perpetuando do modo que nos reconhecemos".
Na mudança, na inversão existencial, novas chuvas e supostas tempestades até poderão vir e serão desconhecidas, assim como os encontros inusitados, vivências e alianças também. A ousadia do desbravamento do novo é o que imperará.
Lembro de um caso em que um homem de meia-idade teve um diagnóstico de uma doença com prognóstico bastante difícil. Quando soube, ousou vender a maioria de seus pertences, contar para seu chefe de trabalho tudo que sempre o incomodou e decidiu falar abertamente aos seus familiares sobre suas mágoas. Decidiu também expressar todo amor e carinho sentidos pelos outros... E assim o fez de modo nunca antes experimentado. Determinou-se a seguir numa viagem pelo mundo por um ano, entendendo que talvez fosse seu último período de vida relativamente saudável, antes que a doença o tomasse. Ficou combinado, se algum problema surgisse, que sua esposa, acordada com a proposta, iria resgatá-lo onde estivesse. Passados oito meses de viagem e sem sintomas, uma dúvida surgiu em sua mente: "será que estou realmente doente?", pensou.
Voltando para sua cidade natal, após quase um ano "sabático", refez seus exames e, para a surpresa de todos, a doença não mostrou evidência alguma, inclusive, a área antes danificada estava recuperada. Os pensamentos que ficaram foram: se os exames da época estariam equivocados, se houve cura espontânea, etc. O porquê do por que sabemos que não importa. O que valeu foi a abertura dada para que o resgate da vida acontecesse.
Esta história foi por conta de um susto, mas acredito não ser necessário coragem para mudar, apenas quando se é impulsionado de modo tão ameaçador.
A ameaça está no dia-a-dia, no modo como vivemos, na anestesia em relação ao que não nos faz bem. Está no insalubre que nos auto-impomos em determinados momentos de vida. Está no esquecimento do que é lesivo para a alma.
Por incrível que pareça, mesmo em meio a todas essas adequações mal solucionadas que vivemos e que, no final das contas, vamos "empurrando com a barriga", nossos sistemas físicos são bastante fortes. Podemos levar uma vida carregando situações danosas para nós mesmos.
Num dia, porém, "a casa cai", por vezes vai caindo pouco a pouco e de modo silencioso e, quando cai de vez, o mal que aparentemente ocorre é bom, afinal, trata-se um oportunidade única de se fazer inversão existencial.
Apenas penso que não precisamos destes tombos doloridos. O caminho suave é sempre o autoconhecimento, a busca de si mesmo e a ousadia da ação.
Ser feliz é o que importa para a vida valer a pena. Você não acha?
Silvia Malamud

Imagem: Google

sexta-feira, 28 de março de 2014

Doenças Psicossomáticas e suas Origens



Segundo a psicóloga americana Louise L. Hay todas as doenças são criadas por nós. Afirma ela, que somos 100% responsáveis por tudo de ruim que acontece no organismo. Todas as doenças tem origem em um estado de não perdão, diz a psicóloga.
Sempre que estamos doentes necessitamos descobrir a quem devemos perdoar. Significa que precisamos perdoar mais.
Pensar, tristezas, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. Perdoar dissolve o ressentimento.
A seguir uma relação de algumas doenças e suas prováveis causas, elaboradas pela psicóloga:

Amigdalite (garganta inflamada)
Emoções reprimidas, criatividade sufocada

Anorexia
Ódio ao extremo de si mesmo

Apendicite
Medo da vida, bloqueio do fluxo do que é bom.

Arterosclerose
Resistência, recusa de ver o bem

Artrite
Critica mantida por longo tempo

Asma

Sentimento contido, choro reprimido

Bronquite

Ambiente familiar inflamado, gritos, discussões

Câncer
Mágoa profunda, tristeza mantida por muito tempo

Colesterol

Medo de aceitar a alegria

Derrame
Resistência. Rejeição a vida

Diabetes
Tristeza profunda

Diarreia
Medo, rejeição, fuga

Dor de cabeça
Autocritica, falta de valorização

Dor nos joelhos

Medo de recomeçar, medo de seguir em frente

Enxaqueca
Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista

Frigidez

Medo, negação do prazer

Gastrite

Incerteza profunda, sensação de condenação

Hemorroidas
Medo de prazos determinados, raiva do passado

Hepatite
Raiva, ódio. Resistência a mudanças

Insônia

Medo, culpa

Labirintite
Medo de não estar no controle

Meningite
Tumulto interior, falta de apoio

Nódulos
Ressentimento, frustração. Ego ferido

Pele (acne)
Individualidade ameaçada. Não perdoa a si mesmo

Pneumonia

Desespero, cansaço da vida

Pressão alta
Problema pessoal duradouro não resolvido

Pressão baixa
Falta de amor quando criança

Prisão de ventre
Preso ao passado, medo de não ter dinheiro suficiente

Pulmões

Medo de absorver a vida

Resfriados
Confusão mental, desordem, mágoas

Reumatismo

Sentir-se vítima, falta de amor, amargura

Rinite alérgica

Congestão emocional, culpa, crença em perseguição

Rins
Medo de crítica, do fracasso, desapontamento

Sinusite
Irritação com pessoa próxima

Tireoide
Humilhação

Tumores
Alimentar-se de mágoas, acumular nervoso

Úlcera
Medo de não ser bom o bastante

Varizes
Desencorajamento. Sentir-se sobrecarregado


Vamos tomar cuidado com nossos sentimentos, principalmente aqueles que escondemos de nós mesmos...

Quem esconde os sentimentos, retarda o crescimento da alma.

Imagem: Google

quinta-feira, 27 de março de 2014

Século XXI, Século da Espiritualidade?




A característica básica do século XXI será a consolidação do processo de globalização. Esse fenômeno deve ser corretamente entendido. Ele não é apenas um dado econômico, político e cultural, afetando os seres humanos. Ele tem a ver com a história da própria Terra como Planeta. Mais e mais ganha adesão na consciência coletiva que a Terra é um superorganismo vivo que tem bilhões de anos de evolução e de história. A Terra é parte da história do universo; vida é parte da história da Terra e a vida humana é parte da história da vida. Cosmos, Terra, vida e humanidade não são realidades justapostas, mas formam um todo orgânico.

Como humanos, somos filhos e filhas da Terra, melhor ainda, somos a própria Terra que chegou ao seu momento de consciência, de sentimento, de liberdade e de responsabilidade. A globalização se insere dentro desta perspectiva universal. Os seres humanos que estavam dispersos em suas culturas, confinados em suas línguas e estados-nações, agora estão voltando de seu longo exílio rumo à casa comum que é o Planeta Terra. A globalização representa esse momento novo da Terra e da espécie humana. Todos se encontram como num único lugar: no Planeta Terra. A partir de agora não haverá tanto a história da Alemanha ou do Brasil, mas a história da humanidade unificada e globalizada, unida com a história da Terra.

Esse fenômeno novo foi detectado com grande impacto emocional pelos astronautas em suas naves espaciais ou da Lua. Muitos deles, pasmados, confessaram: "daqui da Lua não há distinção entre russos e norte-americanos, entre brancos e negros, entre Terra e humanidade; somos uma única realidade viva, irradiante e frágil como uma bola de Natal dependurada no fundo negro do universo; temos o mesmo destino comum; devemos aprender a amar a Terra como a nossa Casa Comum".

A globalização traz consigo uma consciência planetária. Temos apenas esse Planeta para morar. Importa cuidar dele como cuidamos de nossas casas e de nossos corpos. E estamos todos ameaçados seja pelo arsenal de armas nucleares e químicas já construídas e armazenadas que podem destruir a biosfera, seja pela sistemática agressão aos ecossistemas que colocam em risco o futuro do Planeta. Desta vez não haverá uma arca de Noé que salve alguns e deixe pereceber os demais. Ou nos salvamos todos, biosfera e humanos, ou pereceremos todos.

Essa consciência coletiva forçará a criação de organismos internacionais destinados a gerenciar os interesses coletivos destinados a garantir um destino comum para todos e para o Planeta. Mais e mais nos sentiremos como uma única sociedade mundial, una pelas convergências comuns e diversa pelas expressões culturais diferentes de realizar essa unidade. Sentir-nos-emos como uma única família, a família dos humanos. Esse sentimento de família irá criar uma nova solidariedade. O escândalo de dois terços da humanidade, feita de pobres e marginalizados será tido como intolerável. Far-se-ão políticas globais para criar um tipo de sociedade mundial na qual todos possam caber com um mínimo de dignidade. Haverá mais justiça societária e menos violência no mundo.

O fenômeno da globalização e de sua correspondente consciência planetária dão origem a outro paradigma civilizacional. Ele se caracteriza por um novo modo de relacionar-se com a natureza e com os povos, por uma nova forma de produção, por uma redefinição da subjetividade humana e do trabalho. Vamos considerar alguns destes pontos.

Na medida em que cresce a consciência planetária cresce também a convicção de que a questão do meio-ambiente, da ecologia, é o contexto de tudo, das políticas públicas, da indústria, da educação e das relações internacionais. Os recursos não renováveis estão se exaurindo e o equilíbrio físico-químico do Planeta está profundamente afetado. Ou mudamos de padrão de comportamento para com a natureza ou vamos ao encontro do pior. Por isso a sociedade do século XXI consumirá com mais responsabilidade. Fará uma nova aliança de respeito e de veneração com a natureza. O desenvolvimento se fará com a natureza e não contra ela ou à custa dela, como se fez durante séculos.

Haverá um pacto social mundial entre os povos baseado em três valores fundamentais que todos assumirão: (1) salvaguardar as condições para que o Planeta Terra possa continuar a existir e a co-evoluir; (2) garantir o futuro da espécie humana como um todo e as condições de seu ulterior desenvolvimento; (3) preservar a paz perpétua entre os povos como um meio de solução de todos os conflitos que sempre existirão.

A sociedade do século XXI será profundamente uma sociedade do conhecimento, da informação e da automação. Terá incorporado socialmente a nova natureza do processo tecnológico. A tecnologia inaugura uma nova história. Até agora as sociedades se construíram sobre a força do trabalho humano, completado e potenciado pela máquina. O trabalho construiu tudo, modificou a natureza e originou a cultura. Agora o robô e os computadores substituem o ser humano. Milhões de trabalhadores são dispensados. Nem sequer entram a compor o exército de reserva de mão de obra a serviço do capital. São excluídos do processo produtivo.

Como ocupá-los com sentido? Como passar do pleno emprego para a plena atividade? Os trabalhadores deverão ser flexíveis, mostrar habilidade para trabalhos e atividades produtivas não vinculadas ao mercado. Possivelmente o ministério da cultura e do desporto será um dos ministérios mais importantes dos governos futuros, pois eles deverão criar alternativas de ocupação para milhões que estarão fora do mercado do trabalho assalariado. Por outra parte, o trabalho, libertado do regime de salário, assumirá seu sentido originário de atividade plasmadora da natureza a partir da criatividade humana. Os autômatos libertarão o ser humano do regime da necessidade de ter que trabalhar para viver. Eles inauguram o regime de liberdade que permite ao ser humano expressar-se de uma forma que somente ele, sujeito livre e criativo, poderá fazer.

A nova relação para com a natureza no sentido de um reencantamento e de maior benevolência fará que milhões troquem as cidades pela vida no campo ou em cidades menores integradas ecologicamente com o meio-ambiente. A preocupação pela qualidade de vida fará que as megalópoles sejam transformadas profundamente pela recuperação dos rios, das paisagens, da pureza da atmosfera e de sua riqueza cultural.

A automação do processo produtivo que aludimos acima abrirá um espaço muito grande para a liberdade humana, para o tempo livre e para o lazer. O encontro das culturas mostrará formas diferentes de sermos humanos O homem terá menos coações sociais e mais liberdade para decidir seu projeto pessoal. Os valores da subjetividade, a singularidade de cada pessoa, suas preferências e filosofias de vida serão vistos positivamente como riqueza e não como ameaça à unidade humana. O ser humano, devido à educação ecológica incorporada em todas as instâncias, será mais sensível, mais compassivo, mas respeitoso e mais cooperativo.

A liberdade conquistada redefinirá o estatuto da família. Ela não se ordena, primeiramente, à procriação. Ela será o espaço onde a experiência do amor e da intimidade poderá ganhar estabilidade e se transformar num projeto a dois. As coações sociais e legais continuarão, pois a história da desigualdade e até de guerra entre os sexos possui milhares de anos e se cristalizou em arquétipos do inconsciente coletivo e em certos padrões de comportamento social. Mas de forma crescente os parceiros organizam suas relações de forma mais igualitária e democrática como expressão criativa de seus sentimentos e menos como ajustamento a imposições sociais.

Talvez uma das transformações culturais mais importantes no século XXI será a volta da dimensão espiritual na vida humana. O ser humano não é somente corpo que é parte do universo material. Não é também apenas psique, expressão da complexidade da vida que se sente a si mesmo, se torna consciente e responsável. O ser humano é também espírito, aquele momento da consciência no qual ele se sente parte e parcela do Todo, ligado e religado a todas as coisas. É próprio do espírito colocar questões radicais sobre nossa origem e nosso destino e se perguntar pelo nosso lugar e pela nossa missão no conjunto dos seres do universo. Pelo espírito o ser humano decifra o sentido da seta do tempo ascendente e se inclina, reverente, face Àquele mistério que tudo colocou em marcha. Ousa chamá-lo por mil nomes ou simplesmente diz Deus.

Mais do que religião o ser humano busca espiritualidade. A religião codifica uma experiência de Deus e dá-lhe a forma de poder religioso, doutrinário, moral e ritual A espiritualidade se orienta pela experiência de encontro vivo com Deus, prescindo do poder religioso. Esse encontro é vivido como gerador de grande sentido e de entusiasmo para viver.

O século XXI será um século espiritual que valorizará os muitos caminhos espirituais e religiosos da humanidade ou criará novos. Essa espiritualidade ajudará a humanidade a ser mais corresponsável com seu destino e com o destino da Terra, mais reverente face ao mistério do mundo e mais solidária para com aqueles que sofrem. A espiritualidade dará leveza à vida e fará que os seres humanos não se sintam condenados a um vale de lágrimas, mas se sintam filhos e filhas da alegria de viver juntos nesse mundo.

(Leonardo Boff)

Imagem: google
Autor desconhecido 

quarta-feira, 26 de março de 2014

A Religião do Século XXI - Amor




Na superfície da Terra, exatamente agora, há guerras e violência e tudo parece obscuro.
Mas, simultaneamente, algo silencioso, calmo e oculto está acontecendo e certas pessoas estão sendo chamadas por uma luz mais elevada.
Uma revolução silenciosa está se instalando de dentro para fora.
De baixo para cima.
É uma operação global. Uma conspiração espiritual.
Há células dessa operação em cada nação do planeta.
Vocês não vão nos assistir na TV. Nem ler sobre nós nos jornais.
Nem ouvir nossas palavras nos rádios.
Não buscamos a glória. Não usamos uniformes.
Nós chegamos em diversas formas e tamanhos diferentes.
Temos costumes e cores diferentes.
A maioria trabalha anonimamente. Silenciosamente trabalhamos fora de cena.
Em cada cultura do mundo, nas grandes e pequenas cidades.
Em suas montanhas e vales, nas fazendas, vilas, tribos e ilhas remotas.
Você talvez cruze conosco nas ruas e nem perceba...
Seguimos disfarçados. Ficamos atrás da cena.
E não nos importamos com quem ganha os louros do resultado, e sim, que se realize o trabalho.
De vez em quando nos encontramos pelas ruas.
Trocamos olhares de reconhecimento e seguimos nosso caminho.
Durante o dia muitos se disfarçam em seus empregos normais.
Mas à noite, por trás de nossas aparências, o verdadeiro trabalho se inicia.
Alguns nos chamam do Exército da Consciência.
Lentamente estamos construindo um novo mundo com o poder de nossos corações e mentes.
Nossas ordens nos chegam da Inteligência Espiritual e Central.
Estamos jogando bombas suaves de amor sem que ninguém note: poemas, abraços, músicas, fotos, filmes, palavras carinhosas, meditações e preces, danças, ativismo social, sites, blogs, atos de bondade...
Expressamo-nos de uma forma única e pessoal com nossos talentos e dons.
Sendo a mudança que queremos ver no mundo, esta é a força que move nossos corações.
Sabemos que essa é a única forma de conseguir realizar a transformação.
Sabemos que no silêncio e humildade temos o poder de todos os oceanos juntos.
Nosso trabalho é lento e meticuloso assim como na formação das montanhas.
O amor será a religião do século XXI sem pré-requisitos de grau de educação.
Sem requisitar um conhecimento excepcional para sua compreensão porque nasce da inteligência do coração.
Escondida pela eternidade no pulso evolucionário de todo ser humano.
Comece já a viver você mesmo a mudança que quer ver acontecer no mundo.
Ninguém pode fazer esse trabalho por você.
Nós estamos recrutando. Junte-se a nós. Pode ser que já tenha se unido.
Todos são bem-vindos. A porta está aberta.
 
(Desconheço o autor)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Lenda Sioux - Águia e do Falcão


Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo ...
- Nós nos amamos... e vamos nos casar - disse o jovem.
- E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e traze-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada... no dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos... e viu eram verdadeiramente formosos exemplares...
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro... quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse: Jamais esqueçam o que estão vendo... este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro... Se quiserem que o amor entre vocês perdure...Voem juntos mas jamais amarrados".


(Folclore Sioux)

Imagem: Google

quinta-feira, 6 de março de 2014

A Chama Sagrada


Os anjos, arcanjos e querubins mais elevados na escala angélica estavam começando a ficar preocupados com a situação trágica do nosso mundo. A humanidade passava por muitas guerras, fome, doenças, sofrimento, desespero e vazio espiritual. Foi então que decidiram recrutar anjos iniciantes para dar conta de realizar todo o trabalho do plano divino na Terra. Mas antes de estrear suas tarefas nas plêiades angélicas do bem, os anjos nascentes deveriam passar por uma prova a fim de demonstrarem suas capacidades. Analogamente aos estudos humanos, uma espécie de prova final para poder cursar a série seguinte.
Um dos anjos iniciantes deveria então atravessar uma provação, uma iniciação ao reino angélico, que o faria galgar ao status de Anjo do Senhor. Ele estava ansioso por se tornar logo um anjo e começar sua jornada no bem, mas antes precisava provar a sua glória e sabedoria. Após o início da provação, vários arcanjos, serafins e querubins se reuniram e invocaram o gênio do fogo, que trazia a chama sagrada para o aspirante a anjo. Os anjos pediram ao aspirante que colocasse suas mãos em forma de concha e estivesse pronto para receber o fogo divino.
Nesse momento, o Gênio do fogo concedeu uma parcela do fogo sagrado ao aspirante, sem que a chama do gênio se apagasse. O gênio foi embora e os anjos disseram: “Esta chama representa a luz da sabedoria, que ilumina as trevas e dá alento a vida espiritual das almas. Agora vá seguindo o teu caminho e faça o uso desta chama sagrada, desta luz divina como você achar melhor”.
O aspirante a anjo viu uma estrada se abrindo a sua frente e foi seguindo por um caminho bastante escuro. Esse caminho representava boa parte da atmosfera espiritual do nosso mundo; um clima escuro, pesado e hostil. Mesmo percorrendo esse caminho de trevas, ele sentia-se bem e orientado, pois enxergava tudo a sua volta com clareza e lucidez graças a chama que carregava em suas mãos. Foi então percorrendo por estradas e vales, e no caminho começaram a aparecer várias pessoas necessitadas, carentes e em sofrimento, lhe pedindo um pouco da luz da chama. Conforme as pessoas iam passando e pedindo luz, ele ia dando um pouquinho da chama sagrada a cada alma carente. Foi prosseguindo e mais e mais pessoas vinham a ele e pediam um pouco da chama em suas mãos.
No entanto, o anjo observou que, após algum tempo, quanto mais dava o fogo sagrado que iluminava seu caminho, mais a chama ia diminuindo de tamanho. O anjo aspirante deu mais algumas porções de luz e agora caminhava apenas com uma pequena faísca, e quase não podia ver o caminho. As trevas começavam a tomar conta de tudo, e ele sentiu um certo temor. Então iniciou-se um diálogo interno “Devo dar a última faísca de luz que ainda possuo? Não seria melhor guardar essa porção luminosa para que eu também não mergulhe nessa escuridão aterradora?”. Com a possibilidade de perder sua última partícula do fogo, que o aquecia e iluminava nas densas trevas que percorria, ele começou a cogitar ficar com a faísca, mas ainda estava em dúvida.
Este dilema foi sufocando o aspirante conforme ele seguia sua jornada. De repente, surgiu uma velha senhora a sua frente, e lhe pediu a luz que sobrara. O anjo titubeou, refletiu, lembrou-se dos ensinamentos espirituais, e num ato de sacrifício e desapego, deu sua última parcela do fogo, o último ponto luminoso que restara. Ficou então em escuridão total.
Eis que, dentro de si mesmo, começou a brilhar uma chama, a mesma chama sagrada que havia recebido do gênio do fogo na presença dos anjos. Sentiu uma espécie de calor sutil em seu peito, e notou que o fogo, que antes estava em sua mão, começara a nascer de dentro dele; seu próprio interior era agora a fonte da chama sagrada. Nesse momento, tudo a sua volta começou a ficar maravilhosamente iluminado e aquecido.
Percebeu então que, ao seu redor, estava rodeado de um coro repleto de centenas de anjos que acompanhavam todos os seus passos, do início ao fim desta jornada. O aspirante entendeu que os anjos jamais o abandonaram, mas estiveram ali o tempo todo, zelando por ele e observando suas reações diante do desafio imposto. O Anjo do Senhor proferiu as seguintes palavras:
- Venceste a prova do egoísmo e entregaste tudo o que lhe restava da chama sagrada da sabedoria para quem lhe pediu, mesmo tendo a impressão que ficaria sem ela. Se o egoísmo tivesse vencido, cairias neste vale escuro e ficarias sem luz, tal é o estado de boa parte da humanidade. Confiaste em Deus e provaste a ti mesmo que quem se entrega completamente no caminho do bem, jamais fica desassistido e sem luz. A chama sagrada, que antes era exterior a ti, agora arde em teu próprio interior, pois demonstraste a superação diante do egoísmo que impera em quase toda a humanidade. Observe que todos nós, anjos, arcanjos e todas as hostes celestiais, possuímos uma chama sagrada em nosso coração. Da mesma forma que uma vela, ao acender outra vela, não perde a sua chama, também os seres humanos e os anjos, quando transmitimos nossa luz, não a perdemos, ao contrário – a luz só se expande. Vamos acendendo a luz de cada pessoa com eles. Quanto mais damos sabedoria e amor, mais eles se intensificam. A sabedoria e o amor são diferentes das coisas materiais. Quando damos um objeto a alguém, ficamos sem ele. Mas quando doamos amor e sabedoria, não os perdemos. Agora possuis algo que nenhum ladrão pode roubar; que ninguém pode destruir; que as correntezas do tempo não degradam. Podem levar tudo de ti, até mesmo tua vida física, mas a sabedoria e o amor, jamais pode ser perdida. Cuida apenas, como disse Jesus, em não dar pérolas aos porcos. Mas distribua tua luz entre todos, sempre dentro de capacidade individual de cada pessoa em acolhê-la. Agora finalmente és um anjo na Terra.
Autor: Hugo Lapa
 
Imagem: Google

quarta-feira, 5 de março de 2014

A águia


Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.
Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.
Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.
Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.
- De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.
- Não  - retrucou o naturalista - Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
- Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:
- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não  - tornou a insistir o naturalista  - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.
Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.
O camponês sorriu e voltou a carga:
- Eu havia lhe dito, ela virou galinha!
- Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e
dourava os picos das montanhas.
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.
Foi quando ela abriu suas potentes asas.
Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.
Voou. E nunca mais retornou."
Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar.

(desconheço o autor)

Imagem: Google