terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Ciência das Possibilidades




Uma vez Werner Heisemberg, grande matemático alemão, disse: "Os átomos não são partículas, e sim tendências..." A primeira vista tal afirmação pode soar como algo surrealista, pois admitir que os átomos são tendências é o mesmo que aceitar o mundo como algo virtual e totalmente plástico a nossa vontade.
Mas tal afirmação vem sendo cada vez mais comprovada quando se mergulha no universo sub-atômico. Coisas muito estranhas começam a ocorrer quando se estuda o comportamento das partículas nesse nível. Partículas que desaparecem, manifestação em dois lugares ao mesmo tempo e o mais chocante, quanto mais se penetra no interior do átomo, mais se descobre que o mesmo é um grande vazio, até mesmo o núcleo atômico que restava como a única porção de matéria, hoje vem sendo conceituado como um bit de informação, isto é, um pensamento concentrado. Tal perspectiva muda completamente a visão de mundo e nos coloca no papel principal dessa grande odisséia chamada vida.
O modelo de realidade que utilizamos para interpretar o mundo sempre esteve baseado na visão da física clássica que conceitua o mundo como um grande relógio. Nesta visão clássica proposta por Isaac Newton, a realidade é estável e tempo e espaço são constantes universais imutáveis.
Desta forma, o mundo seria regido por leis pré-determinadas. Nesta visão materialista temos também implícito o princípio aristotélico da objetividade forte, o qual estabelece a relação de que a matéria existe independente da percepção ou de uma mente. Entretanto, com as novas descobertas constatou-se que a matéria e a energia são reversíveis (Teoria da relatividade de Einstein), e que qualquer tipo de radiação só poderia ser emitida e absorvida em pequeno pacotes de energia, os quanta (Teoria quântica - Max Planck).
Esse comportamento dual da radiação como onda e também como partícula passou a intrigar os cientistas, pois o mesmo comportamento passou a ser observado em corpos tradicionais da Física, como os elétrons. Começaram a notar que o elétron ora se comportava como partícula, ora como onda. Esta natureza o tornava incerto no interior do átomo. Para abranger este comportamento estranho dos elétrons, foi proposto por Heinsenberg o princípio da incerteza, que hoje é um dos pilares da mecânica quântica. Neste princípio não se pode obter ao mesmo tempo os valores relacionados à posição e à velocidade do elétron. Se temos a posição, não temos a velocidade e se temos a velocidade não temos a posição. E as equações matemáticas começaram a revelar lugares com maior ou menor probabilidade de se encontrar o elétron, pois os elétrons somem misteriosamente e reaparecem também misteriosamente.
De posse deste conhecimento, os cientistas iniciaram a busca pela variável que provocava o desaparecimento do elétron e o seu retorno. Seria algo mais ou menos assim: quando o elétron desaparece, o mesmo deixa de ser uma partícula e passa a ser uma onda, porém como uma onda, ele assume uma natureza insubstancial. Esta característica passou a ser aceita a partir do princípio da complementaridade proposto por Bohr, para explicar que a natureza onda-partícula são dois aspectos complementares do elétron.
O curioso é que no momento em que o elétron assume o comportamento de onda, ela não é uma propagação de energia, mas uma onda de probabilidade. E o colapso desta onda em partícula é promovido por um observador, uma mente. Esta confirmação nos remete à noção de que somos responsáveis pelo surgimento da matéria.
Assim passamos a ser agentes determinantes de toda a realidade à nossa volta, já que o comportamento da realidade no nível sub-atômico é determinado pelas nossas mentes. E esta é a ciência das possibilidades que estuda a manifestação quântica a partir do pleno efeito de nossas consciências! O que a Física quântica está trazendo à tona hoje é exatamente aquilo que os sábios antigos propunham de que a mente cria a matéria. A partir dessa nova perspectiva, devemos nos perguntar: como esse novo modelo de interpretação de realidade pode mudar a forma como lidamos com a própria vida? E a partir desse questionamento poderemos transformar a experiência.

 
Horácio Frazão
 
Imagem: Google

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