Uma vez Werner Heisemberg, grande matemático alemão, disse: "Os
átomos não são partículas, e sim tendências..." A primeira vista tal
afirmação pode soar como algo surrealista, pois admitir que os átomos são
tendências é o mesmo que aceitar o mundo como algo virtual e totalmente
plástico a nossa vontade.
Mas tal afirmação vem sendo cada vez mais comprovada quando se mergulha no
universo sub-atômico. Coisas muito estranhas começam a ocorrer quando se estuda
o comportamento das partículas nesse nível. Partículas que desaparecem,
manifestação em dois lugares ao mesmo tempo e o mais chocante, quanto mais se
penetra no interior do átomo, mais se descobre que o mesmo é um grande vazio,
até mesmo o núcleo atômico que restava como a única porção de matéria, hoje vem
sendo conceituado como um bit de informação, isto é, um pensamento
concentrado. Tal perspectiva muda completamente a visão de mundo e nos coloca
no papel principal dessa grande odisséia chamada vida.
O modelo de realidade que utilizamos para interpretar o mundo sempre esteve
baseado na visão da física clássica que conceitua o mundo como um grande
relógio. Nesta visão clássica proposta por Isaac Newton, a realidade é
estável e tempo e espaço são constantes universais imutáveis.
Desta forma, o mundo seria regido por leis pré-determinadas. Nesta visão
materialista temos também implícito o princípio aristotélico da objetividade
forte, o qual estabelece a relação de que a matéria existe independente da
percepção ou de uma mente. Entretanto, com as novas descobertas constatou-se
que a matéria e a energia são reversíveis (Teoria da relatividade de Einstein),
e que qualquer tipo de radiação só poderia ser emitida e absorvida em pequeno
pacotes de energia, os quanta (Teoria quântica - Max Planck).
Esse comportamento dual da radiação como onda e também como partícula passou
a intrigar os cientistas, pois o mesmo comportamento passou a ser observado em
corpos tradicionais da Física, como os elétrons. Começaram a notar que o
elétron ora se comportava como partícula, ora como onda. Esta natureza o
tornava incerto no interior do átomo. Para abranger este comportamento estranho
dos elétrons, foi proposto por Heinsenberg o princípio da incerteza, que
hoje é um dos pilares da mecânica quântica. Neste princípio não se pode obter
ao mesmo tempo os valores relacionados à posição e à velocidade do elétron. Se
temos a posição, não temos a velocidade e se temos a velocidade não temos a
posição. E as equações matemáticas começaram a revelar lugares com maior ou
menor probabilidade de se encontrar o elétron, pois os elétrons somem
misteriosamente e reaparecem também misteriosamente.
De posse deste conhecimento, os cientistas iniciaram a busca pela variável
que provocava o desaparecimento do elétron e o seu retorno. Seria algo mais ou
menos assim: quando o elétron desaparece, o mesmo deixa de ser uma partícula e
passa a ser uma onda, porém como uma onda, ele assume uma natureza
insubstancial. Esta característica passou a ser aceita a partir do princípio da
complementaridade proposto por Bohr, para explicar que a natureza
onda-partícula são dois aspectos complementares do elétron.
O curioso é que no momento em que o elétron assume o comportamento de onda,
ela não é uma propagação de energia, mas uma onda de probabilidade. E o colapso
desta onda em partícula é promovido por um observador, uma mente. Esta
confirmação nos remete à noção de que somos responsáveis pelo surgimento da
matéria.
Assim passamos a ser agentes determinantes de toda a realidade à nossa
volta, já que o comportamento da realidade no nível sub-atômico é determinado
pelas nossas mentes. E esta é a ciência das possibilidades que estuda a
manifestação quântica a partir do pleno efeito de nossas consciências! O que a
Física quântica está trazendo à tona hoje é exatamente aquilo que os sábios
antigos propunham de que a mente cria a matéria. A partir dessa nova
perspectiva, devemos nos perguntar: como esse novo modelo de interpretação de
realidade pode mudar a forma como lidamos com a própria vida? E a partir desse
questionamento poderemos transformar a experiência.
Horácio Frazão
Imagem: Google

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