É possível deixar de lado a autocrítica e se
perceber na totalidade
Almejamos a perfeição, querermos ser à prova de
falhas, desejamos estar certo, optar corretamente e ter as reações mais
corretas 100% do tempo. Não aceitamos ser menos que "perfeitos". Seja
por autocrítica, ou para mostrar aos outros, ou mesmo, porque é o que nos foi
incutido culturalmente desde pequenos.
Agora, quem é perfeito? Quem não falha? Quem está
sempre certo? Eu respondo: ninguém!
Não seria mais humanamente possível o conceito de
totalidade, no qual nossas características com seus excessos e faltas são
aceitas como parte de nós mesmos? Por exemplo, a raiva como sinalizador dos
nossos limites, a preocupação como projeção dos nossos desejos e todas essas
características e sentimentos que nos mostram onde e quando temos que melhorar.
Por totalidade entende-se que temos o branco e o
preto, além de todas as outras cores; o certo e o errado, além de toas as
nuances do mais ou menos, dependendo do ponto de vista e da situação.
A palavra chave é aceitar que temos todas essas
nuances. Aceitar é acolher sem julgamentos ou críticas. Aceitar não é gostar, e
sim acolher a totalidade de nós mesmos.
É difícil, eu sei. É um trabalho para toda a vida,
mas garanto que é recompensador.
Aprendendo a Aceitar
Precisamos aceitar que temos características que
podem se exceder ou faltar em determinadas situações, aceitar que oscilamos.
Aceitar que essas características são parte de nós, que o excesso ou a falta só
mostra onde temos que aprender, melhorar e evoluir. É com essas oscilações que
aprendemos a lidar com nós mesmos. Aceitar que sentimos raiva, preocupação,
mágoa, tristeza. E isso faz de nós seres únicos e especiais, com toda a
diversidade e humanidade que a experiência da vida nos traz.
Entenda: aceitar não é deixar de sentir ou tentar
controlar esses sentimentos que chamamos negativos, eles são sentimentos
válidos, pois servem para nos guiar, para sinalizar onde estão nossos limites,
nossas feridas, nossas fraquezas. Onde exatamente não estamos plenos e
satisfeitos ainda. Em qual área da vida não nos sentimos felizes.
Reflita e, se possível, liste os sentimentos e
situações que lhe fazem sofrer de alguma forma.
* Quais são esses sentimentos e situações que você
pode melhorar ou lidar para que se ternem menos nocivos?
* Quais são os sentimentos e situações que você não
tem como modificar? Esses temos que aceitar.
Sugiro praticar a Oração da Serenidade: "...
dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para
mudar as coisas que eu posso e sabedoria para que eu saiba a diferença".
Não somos perfeitos, mas podemos aceitar nossa
complexa totalidade. Oscilando às vezes, mas melhorando sempre.
Simone Kobayashi
Imagem: Google

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