É
do nosso brilho e não da nossa sombra que temos medo. Por várias razões,
ocultas em nosso inconsciente, entendemos, desde a infância, que nosso brilho
era perigoso e que causava desconforte, raiva, inveja, cobiça e irritabilidade
nos outros. Acreditamos que quando brilhávamos, da forma mais natural e
espontânea, nosso brilho ofuscava as pessoas e elas reagiam negativamente a nós
e entendemos que se quiséssemos ser aceitos e amados, deveríamos ofuscar e
esconder nossa luz.
Mas
brilhar significa estarmos nos expressando à partir de nossa alma e esse
impulso sempre é forte e poderoso. Por mais que o ego tenha feito de tudo para
ocultar nosso brilho, para conseguir do mundo tudo o que desejava,
inevitavelmente, nossa alma sempre encontrava uma forma de se expressar,
brilhando intensamente quando, sem o ego perceber, entrávamos num processo
natural de expansão de nossa consciência, entrando em contato com as expressões
mais criativas da divindade, manifestadas em nosso ser.
Por
conta das crenças negativas do ego e de suas necessidades de obscurecer nossa
alma, para manter-se no poder, a cada momento de brilho intenso ele atraía a
atenção daqueles que sabia que mais se incomodavam e se irritavam com o nosso
brilho. Obviamente que nesse momento, aqueles que não gostavam do nosso brilho
ou não 'o queriam para si' (por não compreenderem que tinham sua própria luz),
no 'atacavam psiquicamente', vampirizando-nos ou nos envolvendo em situações
energeticamente muito perigosas. Diante desses ataques ou situações energéticas
que nos afetam muito negativamente, nosso brilho diminuía, nossa vibração
baixava sua frequência e isso nos causava muita dor e sofrimento intenso. Nossa
crença de que é perigoso brilhar se confirmava cada vez mais.
O
desejo de brilhar é natural, nosso brilho é a verdade divina e absoluta de
nosso ser mais profundo; mas por todas essas experiências dolorosas, acabamos
praticamente desistindo de tentar brilhar novamente. Por mais que a nossa alma,
vez ou outra consiga 'driblar' o ego e se manifestar, esse impulso divino que
se expressa tão intensamente, tem seus momentos contados, dura muito pouco. E
sabemos disso, inconscientemente. Por isso, quando nos tornamos buscadores,
nosso anseio mais profundo é de voltar a ter o direito de brilhar, mas o ego está
sempre à espreita para interceptar e interditar qualquer forma mínima que seja
de expressão de nossa alma. Como buscadores perseverantes, mesmo que tenhamos
momentos de brilho intenso, seguidos de 'queda na escuridão e dor', passamos a
compreender o processo e, apesar da dor, sofrimento e dificuldade que isso
representa, ainda assim, a cada queda, após passarmos por um período de
recuperação, lá estamos nós novamente nos erguendo, movidos pelo impulso de
nossa alma que começa a ter mais e mais abertura para se expressar, ela começa
a penetrar em nossa consciência, fazendo com que consigamos perceber os
movimentos do ego e tomarmos cada vez mais consciência desse mecanismo
autodestrutivo tão arraigado em nós.
Essa
tomada de consciência nos fortalece e nossa perseverança aumente. Em alguns
momentos, após termos passados por experiências de expansão de consciência em
magnitudes indescritíveis para a limitada mente humana, caímos de forma mais
profunda e nos sentimos exauridos, o ego providencia para que nossa energia
vital se esvaia a níveis assustadores e isso, obviamente, faz com que não
tenhamos muita força para irmos além do 'modo de sobrevivência'. Quanto mais
atingimos a magnitude divina de nossa expressão de alma - quer tenhamos consciência
dessa expressão ou não (existem pessoas que conseguem alcançar essa magnitude,
mas racionalizam a experiência e nem percebem os níveis magnos que atingiram) -
mas o ego irá nos aterrorizar no momento imediato após essa expressão, ele
encontrará todas as formas possíveis para tirar de nós essa força que nos
impulsiona a irmos cada vez mais além das limitações de nossa mente.
Se
não compreendemos esse vai-e-vem e esses terríveis momentos de queda, escuridão
e dor após momentos de intenso brilho, continuaremos presos à crença,
potencializando-a, de que nosso brilho é nossa 'desgraça'. Somente com a
compreensão e aceitação desse movimento natural, é que conseguiremos ter a
sabedoria de nos acolhermos quando estivermos sem forças, com a vontade muito
fraca e, muitas vezes, com vontade de desistirmos de tudo. O auto acolhimento
irá promover 'milagres' nesse momento, pois pararemos de nos cobrar e de
exigirmos a nossa perfeição. Quanto mais buscadores nos tornamos, mais nos
exigimos e não nos permitimos termos momentos de brilho seguidos de escuridão.
A primeira reação que temos diante disso é de nos criticarmos e nos julgamos,
desistindo de nós mesmos, desacreditando totalmente nossas capacidades divinas
de encontrarmos a solução para esses momentos. Por isso, é fundamental que aceitemos
esse processo de brilho/escuridão, com profundo auto acolhimento, para que
encontremos em nós mesmos as forças e ferramentas para seguirmos em frente.
Porém,
em momentos mais cruciais desse processo, quando o ego está nos atacando
intensamente e nossas forças estão quase a se exaurir por completo e nos
sentimos frágeis e sozinhos, pois ninguém à nossa volta compreende o que está
acontecendo conosco, e se apesar de toda nossa compreensão, não estivermos nos
sentindo sábios para lidarmos com a situação, talvez seja inevitável que
tenhamos que procurar a ajuda de alguém que tenha conhecimento adequado para
nos guiar nesse momento tão determinante de nossa vida. Só de aceitarmos que
precisamos de ajuda, muita abertura acontece dentro de nós e, com isso, a ajuda
virá sem esperarmos a salvação pelo outro. É o momento de ativarmos,
manifestarmos e expressarmos, com toda a coragem e confiança, nosso brilho mais
divino, sem nenhuma outra intenção egóica a não ser com a mais pura intenção de
nossa alma, de expressar o divino em nós. Sem a necessidade de brilharmos para
provarmos ao mundo que somos superiores, mas sim, com o desejo mais sincero
humilde de mostrarmos para as pessoas que é possível sim, brilhar sem sermos
prejudicados.
Se
todos sentem medo de brilhar, apesar de todo o desejo intenso nesse sentido,
aqueles que conseguem resgatar sua alma das garras do ego, trazendo-a para a
vida, libertando-a para sua mais bela expressão, naturalmente tornam-se a
força, o farol que ilumina os caminhos para os outros, para que estes se sintam
encorajados em buscar a luz e resgatar e recuperar sua alma. Mas estas almas
libertas precisam preservar sua integridade e luz; e isso significa que
deveremos ter muita atenção para que possamos apoiar os demais, sem que isso
signifique prejuízos para nós, devemos manter-nos no lugar de alcançamos, sem
diminuirmos nossa frequência e brilho para alcançarmos os que estão sofrendo.
Ninguém salva ninguém, somente podemos dar apoio, acolher e iluminar os passos
do outros, para que ele mesmo encontre suas soluções e suas forças internas,
serviremos também de modelo daquilo que é possível, sim! Nosso brilho mais
intenso divino, manifestado livremente dizendo ao mundo: Sim, eu posso brilhar!
Teresa
Cristina Pascotto
Imagem: Google

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